quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Atenas 360º

Telhados.
E, se estavam curiosos sobre o que existe no outro lado. Mais Telhados.

Um Mar de Casas

Atenas está longe de ser uma cidade bonita e é, quanto muito, um gosto adquirido. Recuando dois meses no tempo, o meu primeiro sentimento em relação a Atenas foi, claramente, de medo. Medo próprio de quem se vê às 01.30 da madrugada, sozinho, de malas espalhadas no meio de uma rua estranha e de aspecto duvidoso.

Aspecto duvidoso e estranho que, passado o medo, se traduziu num sentimento de repugnância pela diferença e pobreza.

Dois meses passaram desde que cheguei e, embora não esteja fascinado e queira viver aqui o resto dos meus dias, posso pensar em lugares piores para se viver. Darfur ou o Quénia, por exemplo.

Foi assim que – do medo à indiferença – me apercebi que as aparências realmente podem iludir e que, na Grécia é preciso ser-se grego para aproveitar a experiência.

Atenas. Não há palavras para definir a (des)organização urbanística desta cidade.

Da direita para a esquerda, pode-se ver parte dos Jardins Nacionais (na mesma direcção mas mais perto fica Kolonaki), o Estádio Kallimármáro, a zona de Pagrati e lá longe (onde estão os raios de sol) a zona de Glyfada.






Streffi Hill e, à esquerda, a zona de Exarhia.









À esquerda da antena e imediatamente antes da Acrópole está a zona de Monastiraki e, nessa direcção, mas mais próximo fica Panepistimio (a cidade universitária). À esquerda da imagem fica Syndagma e o Parlamento (o edificio grande e amarelo que fica colado aos jardins Nacionais). Ao longe, um bocadinho à direita na direcção da Acrópole vemos o Pireu.




Zona de Omonia e Metaxourgio. São as piores zonas da cidade. A melhor descrição que ouvi foi de um manager da empresa: "You don't see any greeks here! You just see crazy Nigerian bitch hookers and Egyptian pimps looking like shit!" Não é assim tão mau, mas fica feito o aviso: SE ÉS TURISTA podes riscar esta área do mapa.





Subjectivamente, a melhor zona de Atenas. Ampelokipi. Não porque seja onde está a minha casa (bairro à esquerda do edificio grande na imagem) mas porque é onde fica a Leoforos Alexandras (A AVENIDA) - casa do Panathinaikos.




Escatológico: Pombos, ratos com asas

Em vez de me limitar às habituais coisas sem nexo, desta vez, decidi escrever uma dissertação sobre excrementos. Dejectos, cocós, porcarias, bosta, scheiße, shit, merde, mierda, merda, σκατα, kak, tiko, muti, lort, cack, tabernac, pokh, kaka zaharra, dong, hovno, szar, khra, sundace, stront, guvno, dritt, shudas, ga’o, tae, tatti, kuso, 屎, căcat… e por aí adiante.

Vá-se lá saber porquê, independentemente do nome, não gosto de excrementos. Curiosamente, também não faço grande distinção entre excrementos de pessoas ou de animais. Cães, gatos, ovelhas, burros, vacas, tartarugas, golfinhos, cavalos, elefantes, pulgas, girafas... entre outros animais terrestres, marinhos e voadores. Não vale a pena identificá-los a todos porque esta dissertação apenas vai debruçar-se sobre o excremento do pombo.

Definitivamente, não gosto. Não gosto, não gosto, não gosto. Não gosto! Não gosto de ver, não gosto de cheirar e não gosto de limpar. Especialmente de limpar. E embora o tamanho do animal de onde provém o excremento não seja de desprezar – certamente, um excremento de rinoceronte será mais problemático do que um excremento de pombo - há outras variáveis a ter em conta. Nomeadamente, ainda não vi nenhum rinoceronte a passear nas ruas de Atenas e nenhum elefante ainda se lembrou de vir “socializar” e CAGAR à minha varanda.

Depois, os pombos são como ratos com asas. São uma praga urbana e aqui em Atenas, principalmente no centro, é um verdadeiro problema. Estão habituados à presença humana e pode-se dizer que estão domesticados.

Para mim, o facto de não se assustarem facilmente, acabou por ser uma vantagem porque me facilitou a tarefa na hora de lhes partir o pescoço. Não, mentira.

O que eu fiz mesmo foi colocar arroz misturado com cimento na varanda. Não, também é mentira. Informei-me e isso é considerado crime ambiental. Não que a ideia de homicídio em massa por envenenamento não me tivesse passado pela cabeça, mas, achei que não valia a pena ter problemas com a polícia por causa de pombos.

O que é verdade é que, mesmo assim, descobri que consigo ser mais palerma, fazer mais excrementos e ser mais inteligente do que (alguns) pombos. Há uma frase de eu gosto muito, exemplifica bem o meu dilema, e é a seguinte. É igualmente perigoso: uma faca nas mãos de um psicopata e a inteligência nas mãos de um malvado.

Enquanto o recurso à inteligência seria, certamente, a forma mais cómoda de resolver a questão a faca foi, seguramente, mais saborosa. E assim começou a minha cruzada pessoal contra os ratos/despertadores com asas. Neste momento, no mundo dos pombos, a minha varanda deve ser o equivalente do Inferno e posso garantir que os pombos de Atenas devem ter pesadelos com tudo aquilo que lhes fiz (atenção, foram eles que começaram).

A receita para a limpeza inicial dos excrementos na varanda foi muito simples: 5 litros de água a ferver, adicionar uma embalagem de Cilit Bang, despejar o liquido fumegante sobre os excrementos e observar à distância a cascata de excrementos que se formou (i.e. também tinha alguns vizinhos barulhentos e, assim, “mataram-se” dois pombos de uma só cajadada).

Em relação a livrar-me dos pombos; primeiro, tirei um tijolo idiota que estava na varanda e era perfeito como retrete e, segundo, que chacina, eu próprio fico assustado com os limites mórbidos da minha mente. Fizeram parte do meu arsenal de ataques; lança-chamas artesanal (o meu preferido), choques eléctricos, torturas várias que envolveram o lançamento de água gelada alternada com água a ferver (bárbaro!), privação de sono com lanternas (descobri que sou mais teimoso que um pombo), bombinhas de Carnaval, entre outras mais rudimentares como a biqueirada a meio da noite (alvorada) e o simples enxotar com um pano.

Entretanto, passados 6 dias, como os pombos devem ter algum tipo de memória muscular (Pavlov explica isso algures na wikipédia) e possivelmente comunicam entre si, para além de terem abandonado não só a minha varanda como o meu prédio, agora, quando ando na rua afastam-se a uma distância de 2 metros.

Fiz muito, admito, e o horror... mas sempre em auto-defesa (digamos que os fins justificaram os meios) e não voltemos a falar nisto.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

ONASSIS

JP "Onassis" Luzio. É assim que vou gostar de passar a ser conhecido quando regressar a Portugal e criar o meu próprio império, portanto comecem a interiorizar a IDEIA!
Eu sempre soube que o destino não se podia dar ao luxo de me deixar ficar mal e que estava destinado a grandes feitos. A sério. Juro que não estou a brincar. Durante muito tempo pensei que poderia vir a ser o próximo Paulo Sousa (quando jogava no SLB), mais recentemente pensei que poderia vir a ser o próximo Mourinho. Enfim, qualquer coisa relacionada com futebol. Agora sei que estava enganado.
Mal sabia eu que seria neste pedaço de terra a que chamam de ΗΕΛΛαδα que eu iria descobrir a IDEIA!
Não sou nada destas coisas (normalmente toda a gente começa assim uma frase quando aborda o assunto seguinte) mas ultimamente vinha a sentir que algo de importante estava prestes a acontecer. Chamem-lhe dejá vu, premonição, o que quiserem. Era um sentimento muito forte e quase palpável, mas que não consigo pô-lo em palavras.
Tenho pena de ainda não puder divulgar ao Mundo a minha IDEIA! Primeiro tenho de fazer o Business Plan e registar a marca, mas posso adiantar que ela é concretamente brilhante e subjetivamente simples. Ou então o contrário, é possível que assim seja. De qualquer modo é brilhante e simples, independentemente de ser primeiro brilhante e depois simples ou primeiro simples e só depois brilhante.

domingo, 20 de janeiro de 2008

5 minutos do meu dia de hoje

Hoje o dia esteve agradável. Com as temperaturas a rondarem os 20º notou-se bem a afluência de pessoas na rua, o que deixa antever um mar de gente em Atenas no Verão para complementar a ideia do mar de casas em Atenas, traduzido em caos urbanístico, que é uma coisa a que já me habituei e começo até a achar uma certa beleza.

A língua grega, definitivamente, já não me parece alienígena e começa a assemelhar-se com o italiano. É bom sinal e estou confiante que até ao final de Julho consiga ler e falar correctamente em grego. De resto, Atenas e os gregos surpreendem-me cada vez menos e isso deixa-me contente. A razão é simples: na Grécia é preciso esperar o inesperado e eu procuro fazê-lo.

Um aparte. Não sou o único que está adaptado à realidade grega: o Kenedy (ex-jogador do Benfica, Marítimo e internacional A de Portugal) está a jogar no Ergotelis, último classificado da liga grega, é capitão de equipa e tem o nome Daniel nas costas.

De volta ao meu dia de hoje, acordei cedo com a ideia de ir até à feira de velharias em Monastiraki. Tem aquele aspecto de bazar turco, com lojas em ambos os lados de ruas estreitas e labirínticas. Estava a abarrotar. Não fui com a intenção de comprar nada, embora tenha ficado com a impressão de se puderem fazer ali boas compras, mas diverti-me bastante a ver toda aquela agitação e burlesco. No futuro vou gostar de relembrar, particularmente, o encontro com um vendedor que estava a apregoar com o auxílio de um aparelho electrónico nas cordas vocais. Em duas palavras: IM...PRESSIONANTE!

A seguir fui ao museu Islâmico, que pertence à colecção do museu Benaki mas fica num lugar completamente distinto. Curiosamente, fica ao lado de um outro museu judaico e não deixei de pensar que bom seria se pudessem fazer a mesma coisa em Jerusalém. O museu estava quase vazio e pude ver as coisas à vontade. Foi interessante, pois foi, e confesso que cada vez mais me convenço que o Islamismo é uma religião de paz e que a violência que lhe é associada é apenas a obra de fanáticos…os fanáticos! Mas mais interessante foi a parte de mais uma vez pagar a entrada num museu com o meu cartão de estudante.

Por esta altura já estava com fome, então, comi um kalamaki (uma espetada de souvlaki) e encaminhei-me para a Colina das Ninfas, passando por Thissio, Kerameikos e Gazi. A Colina das Ninfas é um espaço verde que está incluído naquilo que se pode chamar a zona da Acrópole. Vi uns espectáculos de rua sem deixar nenhuma moeda no final (fui eu e 90% da “plateia” e nem foi porque os espectáculos fossem maus… enfim, é uma cena de Atenas) e decidi subir o monte Filopappos antes de vir para casa. Foi uma subida de 30 minutos a andar e em vez de fazer a descrição do monte vou mostrar-vos os últimos 5 minutos. A vista no topo é a do tal mar de casas (em duas palavras: IM…PRESSIONANTE!) mas vou esperar até ir ao monte Likavittos para mostrar a Atenas 360º em todo o seu esplendor.

Para já, convido-vos a juntarem-se a mim na subida do Filopappos (por 5 minutos).
CLICKA AQUI

PS: Devido a problemas técnicos, onde se lê hoje, deve-se ler ontem.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O Moretto da Grécia

O Moretto da Grécia é o próprio Moretto! Este não tem equivalente, mas, o simples facto de estar aqui na Grécia já diz muito. E o facto adicional (benfiquistas, preparem-me para as boas notícias) do AEK estar disposto a pagar 1M€ por ele no fim do empréstimo diz ainda mais. Esta é a mais recente exibição do Franguetto:

O que me recorda que também aqui temos o "Butt da Grécia". Não marca golos de penalty mas a defender fora dos postes é igual:

A Mónica Sintra da Grécia

A coreografia é amorosa, okay, o guarda roupa é... amoroso, okay, quem a conhece diz que é amorosa, okay, mas a dorrrrrrrrrrrrrrrrrr que ambas artistas provocam nos meus ouvidos só é suplantada pela sensação de alívio que proporcionam depois de se calarem. Imagino o Rei de Espanha a entrar por ali adentro e a dizer PORQUE NÃO TE CALAS? (com a rainha a traduzir em grego).
O próprio programa é o "Fátima Lopes" da Grécia.
PS: Esqueci-me de esclarecer que o dançarino no vídeo anterior do Pashalis Terzis "Marco Paulo grego" é uma espécie de microfone. Aparece ali como uma distração. Pelo menos eu estava mais interessado em ver quando é que voltava a aparecer a "rodinha" do que propriamente em ouvir a música e, quando dei por isso, já tinha ouvido a música toda.